Protocolo europeu se alinha ao resto do mundo na recomendação do tratamento antecipado de HIV

11/12/2015

 

O novo protocolo da EACS  (European AIDS Clinical Society), lançado na 15ª Conferência Europeia sobre Aids  – realizada entre 21 e 24 de outubro, em Barcelona (Espanha) –, alinhou a Europa ao resto do mundo ao recomendar o tratamento da infecção pelo HIV logo após o diagnóstico para todos os pacientes. Essa é a primeira vez, desde 2006, que todos os protocolos internacionais de tratamento concordam sobre o momento em que o TARV deve começar.

 

Agora, os protocolos da EACS, da OMS (Organização Mundial da Saúde) , do Ministério da Saúde dos EUA, da IAS (International Aids Society)  e da Associação de HIV do Reino Unido  concordam que o tratamento deve ser oferecido para todas as pessoas diagnosticadas com o HIV, independentemente da contagem de células CD4. O protocolo brasileiro, que determina tratar todas as pessoas independentemente do nível de CD-4,  é de dezembro de 2013.

 

Antes, os protocolos da EACS e das outras instituições citadas defendiam que o tratamento só era recomendado para pessoas com CD4 abaixo de 200 células/mm3. Ou, em outras palavras: não recomendavam tratamento para pessoas com CD4 acima de 350 células/mm3, e o recomendavam com cautela para pessoas com CD4 entre 200 e 350 células/mm3.

 

“O ‘quando começar’ foi a parte mais fácil de escrever”, disse o co-presidente da Conferência, José Gatell, em referência ao estudo Start, que revelou que o tratamento é benéfico para pacientes com quaisquer contagens de CD4.

 

PrEP

 

Outras mudanças nos novos protocolos da EACS incluem uma recomendação positiva para a PrEP (profilaxia pré-exposição), alinhando a instituição, também com as demais como os Centros dos EUA para Controle e Prevenção de Doenças  e a OMS.

 

A PrEP é “recomendada” para “homens que fazem sexo com homens e pessoas transexuais, que são inconsistentes no uso de preservativos com parceiros ocasionais ou com parceiros soropositivos que não estão em tratamento” e “pode ??ser considerada” para “homens e mulheres heterossexuais que são inconsistentes no uso de preservativos e suscetíveis a terem parceiros soropositivos que não estão em tratamento”.

 

Coinfecção por hepatite C

 

As recomendações da hepatite C agora excluem o uso de interferon peguilado e ribavirina como primeira escolha – porém, como forma de reconhecer que alguns países ainda os empregam, uma série de orientações sobre os esquemas de interferon/ribavirina foram incluídas no apêndice (disponíveis apenas online).

 

O protocolo brasileiro de Hepatite C prevê o tratamento de pessoas co-infectadas pelo HIV. O protocolo foi lançado em julho deste ano e o tratamento com antivirais de ponta: sofosbuvir, daclatasvir e simeprevir começou a ser distribuído no mês passado.

 

Comorbidades e envelhecimento

 

Outra mudança no protocolo da EACS é uma nova ênfase: agora, a seção sobre Prevenção e Tratamento de Comorbidades em Pessoas com HIV  inclui uma declaração específica – e “recomendamos atendimento multidisciplinar para pacientes de HIV que estão em processo de envelhecimento e apresentam múltiplas comorbidades e ativação imune crônica, para preservar a boa qualidade de vida e prevenir a fragilidade”.

 

O médico Georg Behrens, que coordenou a seção sobre comorbidades, disse que esta parte – que inclui recomendações para lidar com tudo, do cancro à depressão – é a que foi mais expandida desde as últimas orientações. O desafio de escrever diretrizes para comorbidades, disse ele, foi decidir o que deixar de fora – “se você testar para cada comorbidade que pode ocorrer a pessoas com HIV, os pacientes jamais deixariam a clínica”, disse.

 

Isto porque, à medida que a população soropositiva envelhece, fica cada vez mais claro que certas condições que surgem com a idade podem ser mais frequentes ou mais graves em pessoas com HIV.

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