Que a lição de Belém nos ensine sobre a luta contra a aids

12/21/2015

 

A cena natalina, representada por meio da figura singela dos presépios, nos leva a refletir sobre o que acontece na luta contra a aids. Apesar do desenvolvimento tecnológico e dos avanços importantes da ciência nessa área, a humanidade pouco aprendeu com a lição de Belém, que é o nascimento de Jesus.

 

O filho de Deus veio ao mundo de maneira absolutamente simples e humilde, como mostra a imagem da manjedoura, coberta de palhas, em que ele se deitou ao nascer. Ele poderia ter nascido num palácio, mas quis assumir o espírito da humildade. Veio ao mundo para salvar toda a humanidade mas se colocou ao lado dos humildes e dos excluídos.

 

É como essa lição que temos de aprender. Ao melhorar a qualidade de vida dos soropositivos, a ciência cumpre o seu papel. Felizmente são muitos os avanços em relação aos medicamentos e aos métodos preventivos. Porém, o acesso das pessoas a estas tecnologias, especialmente das mais vulneráveis, continua dificultado.

 

Num contexto social excludente, preconceituoso e marginalizador, a pessoa soropositiva é obrigada a viver no silêncio e no anonimato porque os “Herodes” seguem com a sua perseguição em pleno século 21.

 

Para quem não se lembra da passagem bíblica, o rei Herodes, ao descobrir que o Menino Jesus tinha nascido, o viu como uma concorrência e uma ameaça ao seu poder. Por isso, decidiu eliminá-lo. Para que não restasse dúvidas de que ele não sobreviveria, mandou seus seguidores perseguirem e matarem todos os meninos abaixo de três anos.

 

Os “Herodes” de hoje são os que condenam à morte social, e consequentemente à morte física/clínica, as pessoas vivendo com HIV/aids. Fazem isso discriminando, excluindo, deixando à margem, condenando. Dificultam uma prevenção melhor e mais direcionda pois, temendo a condenação, os soropositivos se escondem. Não vão a uma manifestação da luta contra a aids pois temem ser vistos por vizinhos ou parentes. Pelo mesmo motivo, muitos não procuram um serviço de saúde, não aderem ao tratamento e acabam, assim, morrendo.

 

Por causa do julgamento moral da sociedade, muitos acreditam que não têm mesmo direito à vida, que o que têm já é demais, como se fossem culpados de ter HIV.

 

É neste cenário que somos convidados e convidadas a voltar o nosso olhar para o estábulo de Belém a fim de contemplar e aprender que na simplicidade da manjedoura o acolhimento e a humildade do Divino se revelam no encontro com o humano.

 

Que ao celebrarmos mais uma vez o Natal, possamos fazer a experiência com o nosso Deus-Amor que deseja nos tornar um pouco mais divinos na relação com os nossos semelhantes.

Que a paz, a alegria e o amor possam se fazer presentes na vida de todos nós no decorrer de 2016.

 

Abençoado Natal e um ano novo de sonhos, esperanças e realizações a todos.

 

BOAS FESTAS!

 

* Irmã Benedita de Fátima , psicóloga e técnica do Cefran - Centro Francisco de Luta Contra a Aids

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